Cartas Para Martin, Nic Stone

23 de setembro de 2022

Hey leitores, turubon? 
Quantos autores negros vocês já leram na vida? Eu, se for contar nos dedos quantos já li com toda certeza foram poucos, mas com uns anos pra cá resolvi dar mais espaço na minha estante para autores negros e com personagens negros. Nicola Yoon foi a primeira autora negra que li e se tornou a minha autora favorita pelo livro O Sol Também é Uma Estrela.

Que a sociedade não é tão igualitária quanto as pessoas gostam de dizer.

Em nessa trama vamos acompanhar o jovem adolescente negro Justyce McAllister de dezessete anos que estuda na melhor escola do seu bairro, um dos melhores alunos que tira notas incríveis e faz tudo para ter uma oportunidade de conseguir entrar nas melhores universidades.

Sempre pensei que, se eu me esforçasse muito e fosse um cidadão exemplar, não passaria pelas coisas que os OUTROS negros passam, sabe? É difícil aceitar que eu estava enganado.

Justyce passou a vida se omitindo das coisas que no fundo sempre incomodaram ele. As piadas racistas dos amigos, o preconceito racial da sociedade e isso passou a ter mais atenção quando ele resolve ir ajudar sua ex-namorada por estar totalmente bêbada, sem conseguir dirigir e com apenas querendo ajudá-la, Justyce acaba sofrendo uma violência policial e sendo preso injustamente. 

O que eu faço quando minha identidade é ridicularizada por pessoas que se recusam a admitir que o problema é real?

Com o trauma do acontecimento ele começa a ver as coisas diferente e por isso começa a fazer um projeto pessoal que é escrevendo cartas para Martin Luther King e nessas cartas são demostrados os seus sentimentos, a raiva, angustias e sempre perguntando o que Martin faria nas situações que ele estar vivenciando.


Cartas Para Martin é uma história real. Não é apenas uma ficção, aqui relatar a vivencia de todos os jovens negros na sociedade racista que vivemos. Justyce é um personagem incrível, carinhoso, cuidadoso e tem um currículo escolar exemplar, mas percebesse que essas qualidades não importar, pois as pessoas sempre vão olhar pra cor da sua pele, vão te julgar só pelo fato de você ser negro.

A narrativa é tão rápida e fluida que você não ver o tempo passar. A maneira de como a autora escreveu essa história é incrível, pois a narrativa se passa em um colegial e existe uma classe em que há grupos de debates e é justamente nesse debate que acaba surgindo a discussão sobre o racismo.

Uma outra personagem que ganhou meu coração nesse livro foi Sarah-Jane que é a dupla de Justyce nas aulas de debate, ela é forte e muito determinada e seu jeito de querer mostra que racismo, sim existe para os companheiros. Sério, ela é perfeita! 

Eu ganhei de presente esse livro do meu amigo Emerson @microversonerd e agradeço muito a ele por me apresentar essa história. Quando eu sentei para ler em pleno sábado de manhã, a leitura foi tão fluida que li metade do livro e passei surtando nos direct do meu amigo porque sentir ódio, raiva, indignação, chorei e me apaixonei.

É um livro que tem que ser uma leitura obrigatória no ensino fundamental e médio, todos de qualquer idade precisa ler essa história. Precisa entender que nossa sociedade é racista e preconceituosa.
Classificação indicativa: +12


Postar um comentário