12 de janeiro de 2021

As sabedorias de "As cinzas de Altivez" - Coluna Jacqueline Flores


Sou uma leitora das histórias da vida, histórias comuns que falam do dia a dia e da sua sabedoria cotidiana; aquelas que nos inspiram ao caráter e a dignidade numa realidade social que se faz tão diferente; que destacam a essência da vida simples e a força transformadora de um gesto de amor, e da persistência de sua demonstração, seja de uma mãe com seus inúmeros sacrifícios diários para um filho, seja de um estranho defendendo um outro alguém que, por alguma banalidade, tenha se tornado alvo de agressões gratuitas em plena luz do dia, no meio da rua, do fluxo de um metrô ou qualquer outra contextualização violenta sem razão de ser.

E, às vezes, ficamos tão fixados em uma linha literária que chegamos a pensar que nenhuma outra poderá nos entreter ou satisfazer da mesma maneira. 

Comecei a prestar mais atenção nessa minha restrição indireta e a refletir a respeito. Então, tomei uma decisão. Desde o final de 2019 decidi abrir o meu leque de preferências de gêneros de leitura para conhecer histórias com temáticas diferentes do que eu era habituada a ler. Eu sabia o que eu podia encontrar naquilo que eu costumava ler. Mas, que outras sabedorias as outras classificações literárias poderiam ter de proveitosas também? Isso eu precisava me permitir descobrir. 

E que grata surpresa essa experiência se mostrou! Sentir-me envolvida em reinos e mundos que nunca imaginei permear, diante de uma grande qualidade textual e criativa; e o que é mais legal, através de livros de autores brasileiros contemporâneos! Conhecer, em seus parágrafos, uma soma de reflexões e ensinamentos contextualizados àquela realidade de fantasia mas que falam também com a nossa vida comum. 

Neste artigo, eu compartilho com os leitores as sabedorias que encontrei na leitura da fantasia sobrenatural: “As cinzas de Altivez”, da escritora brasileira Juliana Feliz; junto de um pequeno diálogo com a autora sobre o desenvolvimento destas reflexões propostas ao longo do livro.



Imagens do mapa de Ordália, mundo onde se passa a história. O mapa vem impresso na folha de guarda do livro.


Se você ainda não leu o livro, recomendo que conheça a história, que ganhará sua continuação em breve com a publicação do livro “A Biblioteca dos Mortos”. 


Como adquirir: 

Livro físico: O livro “As cinzas de Altivez” está em pré-venda da sua segunda edição, e pode ser adquirido com brindes exclusivos no site: http://www.casaprojetosliterarios.com.br/ascinzasdealtivez

E-book: A versão em e-book pode ser adquirida pelo site da Amazon, e gratuitamente pelo Kindle Unlimited, no seguinte link: https://www.amazon.com.br/As-cinzas-Altivez-Juliana-Feliz-ebook/dp/B07FJM59R2/


Imagem do livro em sua primeira edição; ao fundo, uma das paisagens que inspirou a autora a criar os cenários de Ordália.


Sinopse do livro:

Ordália é um mundo muito parecido com o nosso, mas também diferente. Em uma sociedade campestre, militarizada e autoritária, em que a "Ordem de Verus" tem poder absoluto, as pessoas vivem sob o domínio de regras bastante rígidas, transmitidas desde cedo pela família e reforçadas na escola, que fundamenta os ensinamentos no Ordalium, o Livro Intocável. Ao completar 19 anos, cada jovem tem seu futuro definido como manda o gênero, a linhagem e principalmente os interesses do sistema. O aniversário de Ariadne Ventura está próximo e ela também não terá a chance de escolher o próprio destino. A garota sensitiva de olhos controversos vive em Miraluz, um vilarejo onde a névoa é eterna e os costumes levados à risca. Ao investigar o desaparecimento de Corina Sanchez, uma antiga aluna do Educandário Lucidez, ela chama a atenção do professor Richard Expósito, que mudará sua jornada depois de um encontro secreto. A atmosfera de mistério do enredo captura o leitor para o desfecho de uma trama intrigante, repleta de fantasia, aventura e fenômenos mágicos. 

As cinzas de Altivez foi vencedor do The Wattys Awards - 2018 na categoria Heróis em Língua Portuguesa, premiação concedida anualmente pelo Wattpad (Canadá). No ano seguinte, foi finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica - 2019 na categoria Narrativa Longa Literatura Juvenil.


Quote do livro "As cinzas de Altivez".


A convivência da jovem Ariadne Ventura, a protagonista da história, com os personagens: Corina Sanchéz, Athos e Évora renderam os conselhos mais belos do livro; aqueles que Ariadne usará para se direcionar e se fortalecer em meio aos desafios da jornada que a espera, e que os leitores também podem levar para a vida:


“Proteja seus mistérios como essas árvores que nos velam, mas não os esconda quando tiverem que brilhar.”


“Jamais se curve diante da violência disfarçada de amor.”


“Ninguém acorda com o despertador dos outros. Só aprendemos com as próprias experiências.”


“Quando olho para você, lembro-me de mim mesma quando jovem. Eu também não me aceitava, sentia que era diferente dos outros. Quando aprender que a sua força está em ser você mesma, nada a impedirá de chegar onde deseja.”


“A culpa, filho. Ela é nossa maior inimiga, aquela que nos arrasta para os calabouços mais frios e imundos da alma. Por isso temos que desvendar os mistérios que residem em nós.”


“Lembre-se: é no pulso do tempo que a verdade sai do poço.”



A escritora Juliana Feliz.


A autora comenta 

Como foi a elaboração destas frases que ficaram como marcos na jornada de Ariadne enquanto você escrevia o livro? Você usou de ensinamentos que lhe foram passados e experiências próprias já vividas? 

Juliana Feliz: Algumas frases nasceram naturalmente durante a escrita dos diálogos. Ao criar as cenas e imaginar os personagens conversando, as passagens fluíam na minha mente, com a sua carga emocional e ensinamentos. Acredito que as situações vividas e as relações entre eles levaram a elaborar as ideias, que são a troca de conhecimentos e até conselhos entre os personagens e que são, por conseguinte, divididos com o leitor. Há frases que surgiram em outros contextos, como conversas com amigos, que foram ditas por eles ou por mim mesma. Naquele momento eu anotava os pensamentos para que pudesse usar em algum texto no futuro. Também durante o dia, em atividades cotidianas e reflexões pessoais, escrevo as frases em um bloquinho como se plantasse uma semente para florescer depois. 


Quais foram os ensinamentos mais preciosos que você vivenciou escrevendo e publicando “As cinzas de Altivez?” 

Juliana Feliz: Escrever um romance é como abrir um baú antigo e tentar organizar os objetos numa estante. As ideias e ensinamentos surgem na forma de chapéus enfeitados, recortes de jornal e fotografias de colegas da escola. Acredito que todo o conhecimento humano está em nós e que as vivências que temos funcionam como um espelho para compreendê-los. Dentre tudo o que aprendi, o mais valioso foi refletir sobre o poder das palavras, o processo de significação e a potencialidade das narrativas que habitam em nós. Sobre publicar, o mais interessante foi me dar conta da magia que é dividir um universo povoado de personagens com as outras pessoas e saber que, na imaginação delas, tudo que criamos se transporta e se reinventa de uma forma única. 


Quote do livro "As cinzas de Altivez".


É possível observar um convite aos leitores para a busca do autoconhecimento nas duas últimas frases elencadas por este artigo como as sabedorias do livro; ouso dizer que carregam até uma inspiração à realização de uma psicoterapia. Foi intencional? Você acredita ser algo importante para os jovens fazerem?

Juliana Feliz: Todo livro guarda uma tese e um convite, seja para lutarmos, para acreditarmos em nós, dizermos o que pensamos ou para fazer sonhar. Essa história faz diversos convites, tocando áreas específicas, como as questões sociais, de gênero, de violência, de esferas de poder, de liberdade, etc. Cada leitor identifica no texto o que ele precisa enxergar naquele momento, cada um vê conforme as suas referências e necessidades. Nosso olhar se aprimora com o tempo e é por isso que os livros tocam as pessoas de modo diferente, a depender dos códigos que temos para decifrá-los. As reflexões estão dispostas em níveis, desde os mais superficiais até os que sobrevoam as entrelinhas e estão calcados nas profundezas dos sentidos. Os personagens que ocupam a função de mentores na história em geral dão conselhos, que em muitas narrativas permeiam pontos como a importância do autoconhecimento, do desenvolvimento pessoal, emocional e espiritual. Muitas histórias apresentam esse conjunto de experiências como fundamentais, seja na voz de personagens, narradores ou mesmo a voz interna que é despertada no final de um livro. Penso ser fundamental que as pessoas conheçam a si mesmas para interagirem no mundo, sejam jovens ou não. Isso também faz parte do processo de se aceitar e se aprimorar como ser humano.


Você pode adiantar para este artigo alguma frase marcante que estará na continuação da jornada da aventurada Ariadne: “A Biblioteca dos Mortos”? 

Juliana Feliz: “Se somos todos diferentes, por que devemos seguir o mesmo livro?”



Sobre a autora 

Juliana Feliz nasceu em São Paulo/SP e atualmente mora na cidade do Porto, em Portugal. É doutoranda em Ciências da Informação - Jornalismo e Estudos Mediáticos pela Universidade Fernando Pessoa, mestre em Estudos de Linguagens - Linguística e Semiótica (UFMS), especialista em Imagem e Som (UFMS), bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (UFMS) e licenciada em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas (UNESA). Ao longo de sua carreira atuou como jornalista e professora universitária. O romance "As cinzas de Altivez", lançado em 2018, é sua primeira obra de ficção, que inaugura uma saga de fantasia, aventura e mistério. Acompanhe a autora e seus lançamentos pelo Instagram: @julianafelizescritora


As imagens deste artigo foram reproduzidas do Instagram da autora Juliana Feliz e do site da agência CASA Projetos Literários.

8 comentários

  1. Uau! Resenha super perfeita para um livro sensacional!Parabéns para a Juliana Feliz e para Jacqueline Flores pela coluna.

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    1. Olá Lívio!
      Que bom que você gostou da coluna e que também gosta do livro. Participe sempre por aqui! Abraço de livro!

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  2. Oi Flor,
    Que estreia hein!
    Curti muito a premissa de As Cinzas da Altivez.
    Uma história única.

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    1. Olá Chelle!
      Muito obrigada, fiquei muito contente com a sua avaliação sobre a coluna, e também por ter curtido a premissa da história! Ela é mesmo bem instigante!
      Abraço de livro!

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  3. Jaqueline!
    Acho muito importante sairmos da nossa zona de conforto e experenciar novos estilos, até porque, assim poderemos dizer com mais convicção quais são nossas preferências.
    cherinhos
    Rudy

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    1. Olá Rudynalva!
      Realmente, o desafio de conhecer algo novo nos traz benefícios!
      Abraço de livro!

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  4. Que delícia de post!!!Eu ainda não conhecia o livro e realmente a gente tem esse hábito de ficar só nos gêneros que curtimos e não, não sair da caixinha de jeito nenhum!
    Adorei conhecer um pouquinho da obra e da autora, com certeza, se puder, quero muito ler!!!
    Beijo

    Angela Cunha/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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    1. Olá Angela!
      Muito obrigada, fico contente em saber que você gostou da coluna, e também da premissa do livro. Indico a leitura para você passar horas instigantes de muito suspense!
      Abraço de livro!

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